Mês do Orgulho LGBT+ na Meios

05/07/2019

Em junho, para comemorar o Dia do Orgulho LGBT+ (28/06), a Meios protagonizou uma campanha durante todo o mês.

O sextou do nosso Instagram foi colorido e recheado de conteúdo em 4 postagens sobre pessoas que acrescentaram muito para o universo comunicacional em que todos vivemos e, por um acaso, são/eram gays, lésbicas, transexuais+. 

07/06 - Na primeira sexta-feira do mês demos início tirando a poeira.
Alan Turing foi um matemático inglês que é considerado o pai da computação. Nos anos 1940 ele formalizou o conceito de algoritmo, dando base à linguagem computacional. A chamada Máquina de Turing é considerado o ancestral dos computadores modernos - inclua o smartphone em sua mão. Na época dedicou seus esforços para a inteligência britânica, desenvolvendo sistemas tecnológicos para decodificar mensagens nazistas na Segunda Guerra.

Turing derrotou Hitler e contribuiu para que a história do mundo se escrevesse como a conhecemos.

Sua história se torna incrivelmente representativa quando, em 1952, ele respondeu a um processo criminal por ser homossexual. O brilhante cientista matemático teve sua morte após dois anos de "tratamento" hormonal e castração química, aos 41 anos de idade.

A vida de Turing foi silenciada por alguns anos, tendo seu reconhecimento retomado nos anos 80. Em 2009, o governo britânico se desculpou pelo assassinato de Alan Turing e em 2013, Turing foi perdoado postumamente da condenação pela rainha Elizabeth II.

O ator Benedict Cumberbatch interpretou Alan Turing no filme Jogo da Imitação, de 2015.


14/06 - Dando seguimento ao sextou do orgulho na Meios, as Irmãs Wachowski.
Lilly e Lana Wachowski digitalizaram questões filosóficas e existenciais na #culturapop em Matrix, de 1999, com Keanu Reeves como Neo. A dupla antecipou angústias, comportamentos e questionamentos tão vívidos hoje num pós-humanismo entre apocalípticos e integrados (Humberto Eco),

#SPOILER Por volta de 2200 a inteligência artificial aprisiona humanos para usá-los como fonte de energia biológica, controlando sua percepção através da Matrix ambientada no ano 2000 - o último ano antes da humanidade entrar na Era Digital.

O rompimento do cidadão ordinário e infeliz - Neo era o cara de TI, através da compreensão e domínio do digital, dá ao indivíduo aventuras, paixões e, até mesmo, poderes. Para fugir, o user precisa se aprofundar no virtual.

Enquanto organismo suspenso, os humanos da Matrix são gerados e mantidos conectados por extensões tecnológicas invasivas (vide McLuhan, citado em nosso primeiro podcast .meiosp3) que os mantém na realidade aumentada tão satisfatória para seus egos já ciborgues. A aprendizagem, por exemplo, não é um processo social, mas uma inserção computacional passível e sem criticismo.

Há, ainda, questões extra-filme que se refletem na Matrix, como as múltiplas influências estéticas de diversas áreas como surrealismo, cyberpunk, animes, entre outras, que fazem a função de hiperlinks - quando um interesse puxa outro em verdadeira multimídia. Entre outras diversas questões que mostram o brilhantismo artístico das irmãs.

Lilly e Lana são mulheres transgênero. Na época que roteirizaram e dirigiram Matrix, ainda se identificavam como Andy e Larry. Elas fizeram a transição em momentos diferentes entre 2012 e 2016. Em suas obras estão V de Vingança, A Viagem, Speed Racer e O Destino de Júpiter. Lana foi responsável pela série Sense8, hoje na Netflix. Lilly abaixou os holofotes e se dedica à pintura.

Foto 1/2: Twitter @lilly_wachowski / Variety

21/06 - No terceiro destaque para o Mês do Orgulho:
Tim Cook, de 58 anos, responde desde 2011 como CEO da maior empresa de tecnologia do mundo, a Apple. Antes de assumir a caneta final da marca que dita tendências e comportamentos, ele foi responsável pela estratégia de venda da companhia em nível global, sendo braço direito do então presidente que o indicou para seu lugar, Steve Jobs.

Nas mãos de Cook está o nome responsável pela maior revolução recente em termos sociodigitais: a smartphonização do mundo (tema central da nossa palestra que lançaremos em breve por aqui). Foi a partir das facilidades revolucionárias em termos de design e tecnologia que a Apple determinou o comportamento mais comum dos dias atuais: estar com um celular na mão, preparado para toda e qualquer função cotidiana - desde checar um transporte, ver seu youtuber preferido, fiscalizar o crush, fazer uma transmissão importante em alta qualidade, ler um e-book, pesquisar viagens ou escolher uma nova decoração para seu quarto.

Na Apple desde 1998, Cook foi vice-presidente da Compaq, diretor na IBM e Worldwide. Entre aspectos óbvios como ser workaholic, é entusiasta de práticas esportivas. Ele se declarou abertamente homossexual em um editorial da Bloomberg Businessweek, declarando;

Eu tenho orgulho de ser gay e eu considero que ser gay é um dos maiores dons que Deus me deu." E com foco em sua atuação empresarial, define "Nós pavimentamos juntos o caminho iluminado pelo sol na direção da justiça, tijolo por tijolo. Este é o meu tijolo.

Foto: iMore 

28/06 - Para fechar nosso Mês Do Orgulho LGBT, uma força necessária em busca de igualdade chamada Arlan Hamilton.
Arlan é uma empresária e empreendedora que atua no ambiente das startups, buscando investimentos e parcerias através da sua incubadora Backstage Capital.

Antes, esteve ligada à indústria musical gerenciando turnês e shows na Atlantic Records e com sua revista Interlude.

Há quatro anos, no entanto, imersa no american business, ela percebeu como os fluxos de investimento seguiam padrões não relacionados ao potencial criativo. Em aspas à Fast Company, ela declarou:

Foi uma loucura descobrir que 90% do financiamento de capital de risco ia para homens brancos, sendo que não é assim que a inovação, a inteligência e a motivação estão por aí no mundo real.

Arlan Hamilton, então com 34 anos, chegou ao Vale do Silício povoado de marks zuckerbergs e outros do tipo. Ela não tinha um diploma universitário, nem contatos ou dinheiro. Tudo o que ela tinha era uma missão: investir em novos negócios e startups esquecidas pelo modus operandi preconceituoso.

A Backstage Capital tem foco exclusivo para mulheres, negros e pessoas #LGBT. Em ações ousadas, como a de captar US$ 36 milhões para projetos de mulheres negras, Arlan tenta abrir caminho no meio de tubarões que determinam estatísticas como: pouco mais de 30% das empreendedoras negras dos EUA conseguiram arrecadar mais de 1 milhão de dólares em venture capital. A proposta acima, atestando a dificuldade mercadológica, fracassou, obrigando a empresa a se reestruturar na mesma missão.

Negra e lésbica, Arlan segue em sua missão por representatividade. Desde a fundação da Backstage, a empresa acelerou o crescimento de 100 projetos de pessoas pretas, LGBT e mulheres em US$ 5 milhões.

Foto: Arquivo pessoal.


Esperamos que curtam iniciativas como esta. Afinal, temos como fundamental o posicionamento politizado em favor dos Direitos Humanos e em incentivo à igualdade e ao fim dos preconceitos. Compartilhem!